quinta-feira, 19 de março de 2026

Maria - versão IA

 As IAs atuais parecem ter sido educadas pela coluna ‘A Maria Responde’

Há dias em que me pergunto se algumas inteligências artificiais não terão sido treinadas com as cartas da revista Maria.

Aquelas pérolas dos anos 80 e 90, onde as pessoas perguntavam se estavam grávidas porque tinham feito festas com a mão na gaita do namorado, e a resposta vinha sempre com um tom dramático, moralista e cheio de certezas absolutas.
Pois bem.
Troquem “Maria” por “IA” e digam-me se não soa igual.
 
 1. O tom paternalista
A Maria dizia:
“Minha querida, isso não se faz, pense bem nas suas escolhas.”
A IA diz:
“Compreendo a sua preocupação. É importante refletir sobre os seus comportamentos.”
Tradução:
Ambas acham que somos todos um bocadinho parvos.

2. A certeza absoluta
A Maria respondia como se tivesse um doutoramento em tudo:
amor, saúde, fertilidade, astrologia, canalizações.
A IA também:
“Segundo estudos, a melhor decisão é…”
Mesmo quando o estudo é inventado ou não tem nada a ver.

3. O drama
A Maria transformava qualquer dúvida num episódio de telenovela.
A IA transforma qualquer pergunta numa tese de mestrado.
No fundo, ambas exageram — só que uma fazia-o com purpurinas e a outra com estatísticas.
 
4. A moral escondida
A Maria tinha sempre um “deverias ter vergonha” implícito.
A IA tem um “não posso aconselhar isso” muito fofinho, mas igualmente julgador.

Conclusão
Se calhar, antes de treinar IAs com milhões de textos, alguém devia ter verificado se não havia lá pelo meio umas quantas edições da revista Maria.
Porque às vezes, quando faço uma pergunta inocente, a resposta que recebo soa exatamente assim:
“Meu querido, tenha juízo.”
E eu só queria saber se o meu router precisava de reiniciar.
 
Nota: Este post teve a particiapção de uma IA... mas não se chama Maria